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Segunda, 30 Abril 2018 18:06

Doença celíaca e sua relação com a saúde bucal

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Doença celíaca e sua relação com a saúde bucal

Você conhece alguém com intolerância ao glúten? Então você sabe o quanto a dieta dessa pessoa é restritiva e cautelosa.

Mas afinal, como o glúten pode afetar tanto o organismo do intolerante a ele? E o que esse assunto tem a ver com a odontologia? Entenda na matéria.

O glúten é uma proteína encontrada no trigo, aveia, cevada, centeio e seus derivados. A intolerância a esta proteína é também chamada de Doença Celíaca, uma desordem sistêmica autoimune, que de acordo com a Celiac Disease Foundation, afeta cerca de uma a cada 100 pessoas em todo o mundo.

Essa condição pode aparecer em qualquer idade e é caracterizada pela inflamação crônica da mucosa do intestino delgado, o que pode causar atrofia das vilosidades intestinais e, consequentemente, a dificuldade do organismo em absorver os nutrientes dos alimentos, vitaminas, sais minerais e água. Os sinais e sintomas clínicos apresentados vão muito além do trato gastrointestinal, incluindo condições de ordens endócrinas, neurológicas e odontológicas.

Odontológicas? Sim!

E é sobre isso especificamente que abordaremos nesta matéria. Vamos nos informar para enriquecer nosso exame clínico e visão integral do nosso paciente.

O que dizem os estudos sobre a Doença Celíaca?

Alguns estudos que relacionam manifestações bucais com doenças gastrointestinais apontam que os defeitos no esmalte em dentes permanentes e decíduos podem ser consequência da doença celíaca; por vezes esses são os únicos sinais que apontam para essa patologia.

A hipoplasia de esmalte tem sido observada em pacientes adultos celíacos, distribuídos simétrica e cronologicamente nas quatro hemiarcadas dentárias. Estes foram denominados como defeitos no esmalte “tipo-celíaco”, com a seguinte classificação:

Grau 1: defeito na cor do esmalte;

Grau 2: discreto defeito estrutural com sulcos horizontais típicos;

Grau 3: defeitos estruturais maiores, com sulcos horizontais profundos e grandes fossas verticais;

Grau 4: defeito estrutural severo, no qual a forma do dente pode ser modificada.

Além da hipoplasia de esmalte, de acordo com a National Foundation for Celiac Awareness, entre 4,5 e 15% das pessoas com doença celíaca também possuem a síndrome de Sjogren ou da boca seca, que também é uma doença autoimune nas glândulas salivares. Sem produção de saliva suficiente, sabemos quantos outros problemas podem ser desencadeados, como o surgimento de cáries, por exemplo.

Carvalho et al (2015) avaliaram 52 crianças com doença celíaca,  comparadas a um grupo de controle de mesmo número, que apresentaram, além de defeitos no esmalte, redução do fluxo salivar e estomatite aftosa. De acordo com o National Institute of Health a estomatite aftosa, ou aftas, também afetam de 3 a 61% das pessoas com doença celíaca.

Em um estudo realizado com 128 pacientes celíacos, notou-se a associação das alterações bucais com a doença; os pacientes da pesquisa registraram dor ou ardência lingual (30% do grupo DC e 10% do grupo controle), além de lesões na mucosa oral, eritema ou ulceração, localizadas nos lábios, palato, mucosa ou língua (55% do grupo DC e 23% do grupo controle). As úlceras foram o tipo mais comum de lesão oral, apresentando-se sob a forma de púrpura, papular ou erosiva, geralmente com a margem eritematosa.

Doença Celíaca no Brasil

Apesar de não haver dados estatísticos sobre a prevalência da doença celíaca no Brasil, a mesma vem crescendo. A maior incidência de sinais e sintomas bucais (hipoplasia do esmalte dental, úlceras na mucosa bucal, dor ou ardência lingual), em pacientes celíacos, mostra a fundamental importância de reconhecer essas alterações como auxiliares no diagnóstico desta enteropatia, já que, muitas vezes, esses são os únicos sinais clínicos de uma doença que, se não tratada, mais tarde pode levar a complicações.

Essas informações não somente enriquecem nossa visão no tratamento do paciente já diagnosticado como celíaco, mas podem contribuir no pré-diagnóstico dos casos latentes ou assintomáticos. Percebê-las exige o envolvimento, não somente do gastroenterologista, mas também, de vários outros profissionais da saúde.

 

Última modificação em Segunda, 30 Abril 2018 19:07

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