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Sexta, 07 Dezembro 2018 16:53

Criança: dentes inclinados para frente sofrem mais trauma

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Criança: dentes inclinados para frente sofrem mais trauma

A matéria foi baseada em dois estudos recentes, das Universidades de Manchester na Inglaterra e Sapienza, na Itália. As conclusões dos estudos são bem interessantes:

  • O trauma dentário é o segundo problema dentário mais frequente em crianças, seguido de cáries.
  • Crianças com dentes protruídos e inclinados (para frente) e overjet aumentado (aumento da distância entre incisivos superiores e inferiores) sofriam até 3x mais traumatismos que as outras crianças.
  • Meninos com idade entre 8 e 11 anos estão na faixa de risco…
  • …assim como crianças que praticam esportes de impacto como lutas, basquete, futebol, etc.
  • Os autores estimaram que de 1990 a 2014 houveram aproximadamente 235 000 000 (sim, milhões) de dentes traumatizados atribuídos a um overjet aumentado.

Um outro problema sério é que dentes traumatizados que passam por tratamento ortodôntico podem sofrer reabsorções radiculares com maior intensidade. A reabsorção radicular é um efeito colateral frequente e de certa forma já esperado no tratamento ortodôntico. É um processo em que a raiz do dente sofre uma remodelação e encurta.

Não é preocupante em pequena quantidade, mas pacientes que sofreram trauma podem sofrer reabsorções mais extensas, ao ponto de precisarem de interrupção do tratamento ortodôntico em casos severos. É importante sempre relatar para o ortodontista qualquer trauma prévio ou durante o tratamento ortodôntico.

Apenas essa estatística não quer dizer que dentes para frente necessitam de tratamento ortodôntico precoce preventivo, ainda mais quando levamos em conta somente o risco de trauma. Devem ser levados em conta também aspectos estéticos, o impacto psicológico da aparência da criança no seu meio social e as alterações funcionais citadas acima que afetam o desenvolvimento facial. Há sim, em crianças com dentes excessivamente projetados e que praticam esportes de impacto, como lutas, futebol, basquete, entre outros, maior indicação de tratamento. Mas o custo-benefício, não só financeiro, mas também biológico deve ser avaliado pela família do paciente e pelo ortodontista.